Mostrando postagens com marcador jean-luc godard. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador jean-luc godard. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, dezembro 12, 2007

Top 5 da semana

01 – Carmen de Godard (Prénom Carmen) – Jean-Luc Godard – Nunca tinha visto “Carmen”, e ver um Godard pela primeira vez me é sempre uma experiência mais física do que intelectual. Nesse sentido, as ondas (do mar, da luz, das cores, das músicas, dos corpos) de “Carmen” são um banquete. E acho melhor nem entrar na beleza quase indecente que ele arranca de “Ruby’s Arms”, do Tom Waits, pelo risco de passar a noite toda escrevendo e não conseguir ir trabalhar amanhã.

02 – Novo Mundo (Nuovomondo) – Emanuele Crialese – É uma tristeza ver o que uma cópia ruim (mesmo nova) pode fazer com a fotografia de Agnès Godard. O preto empastelado, a dessaturazação, o contraste todo cagado... tudo tenta jogar contra o filme. Ainda assim, “Novo Mundo” é, como esperava, uma maravilha só.

03 Videodrome – David Cronenberg – Embora todo filme de Cronenberg me pareça uma síntese de todo seu projeto estético, “Videodrome” me parece ser o momento em que isso se dá de forma mais acabada, completa (o abraço à ficção, o cinema como arte essencialmente sexual, o sujeito em risco de anulação, as texturas). Não é meu filme favorito de Cronenberg (tendo a gostar mais de coisas menos acabadas e completas), mas é provavelmente o que eu recomendaria para qualquer pessoa querendo compreender melhor a obra do diretor.

04 A música de Guion (Gion bayashi) – Kenji Mizoguchi – Não me parece um grande Mizoguchi (não como “Contos da lua vaga” ou “Os amantes crucificados”, por exemplo), talvez por ser menos exuberante (nos travellings, no jogo de luz e sombra, nos enquadramentos). Ainda assim, poder conhecer mais um pedaço da obra de um dos mais importantes realizadores do cinema japonês (o filme reprisa na sexta-feira, no CCBB-Rio) traz sempre uma nova nuance a uma personalidade cinematográfica aparentemente tão consolidada. Enfim, nada como ver os filmes.

05 Sonata de Outono (Hostsonaten) – Ingmar Bergman - Não consigo ter outro sentimento em relação a Bergman que não um de ambigüidade. Porque ao mesmo tempo em que ele fez filmes que gosto muito, como “Morangos Silvestres” e, sobretudo, “Persona”, alguns de seus trabalhos – mesmo trazendo questões interessantes – me parecem pai dessa auto-comiseração chata, desse apreço pelo sofrimento e pelo drama fácil que define um certo cinema de “arte” de nossos tempos. É meio injusto culpar o pai pelos filhos feios, mas entre os belos amarelos de “Sonata de Outono”, entre os rostos sempre impressionantes de Liv Ullmann e Ingrid Bergman, entre o belo olhar para a câmera de Halvar Bjork e as vogais desconcertantes (em língua cheia de consoantes) de Lena Nyman, essa coisa toda batia com uma intensidade bastante incômoda.