Terça-feira, Novembro 24, 2009
Postado por Fábio Andrade às 12:57 AM
Deixa eu brincar de Develly
Conversa com o amigo e gênio de plantão Daniel Develly, na época em que Aquele Querido Mês de Agosto estava em cartaz no Rio:
Eu: - Tenta ver o filme. É muito bom.
Develly: - E só porque é bom eu tenho que ver?
Quarta-feira, Novembro 04, 2009
Postado por Fábio Andrade às 11:53 AM
File under hehehe
É no mínimo uma bela piada que, no catálogo da mostra A Elegância de Woody Allen, meu texto sobre Poucas e Boas venha logo depois de um texto do Bruno Medina (ex-tecladista dos Hermanos) sobre o mesmo filme, e que o dele se chame A Doce Dicotomia dos Gênios, e o meu, na página seguinte, comece com esta epígrafe de Ezra Pound:
"Se suas percepções são hipernormais em qualquer parte do espectro, ele [o artista] pode ser de grande utilidade como escritor - embora talvez não de grande 'peso'. Eis onde entra o chamado gênio da pá-virada. O conceito de gênio como próximo da loucura foi cuidadosamente fomentado pelo complexo de inferioridade do público".
Chacun ses três pontinhos.
Segunda-feira, Outubro 26, 2009
Postado por Fábio Andrade às 11:42 AM
Projeção Digital
O que estamos vendo, no entanto, é uma total falta de respeito ao espectador no que se refere à exibição do filme propriamente dita. As razões são basicamente duas: projeções incapazes de reproduzir fielmente os padrões de cor e textura da obra e/ou projeções incapazes de exibir os filmes no formato em que foram originalmente concebidos. Sem falar no som, que muitas vezes ganha uma reprodução abafada, limitada ao canal central, muito diferente de seu desenho original.
A adoção da projeção digital pelos dois maiores festivais internacionais do Brasil (o Festival do Rio e a Mostra de São Paulo) e por outros festivais do país, infelizmente, não respeitou o que seriam critérios mínimos de qualidade de projeção de filmes em cinema – algo que é observado com atenção em qualquer festival internacional que se preze. Trata-se de uma situação particularmente alarmante tendo em vista o papel de formadores de plateia que esses eventos desempenham.
Sucessivamente, temos visto um autêntico massacre ao trabalho de cineastas, fotógrafos, diretores de arte, figurinistas, técnicos de som e até mesmo de atores. Apenas para citar um exemplo: Les herbes folles, o novo filme de Alain Resnais, originalmente concebido no formato 2:35:1, foi exibido no Festival do Rio, com projeção digital, no formato 1:78. Isso representou o corte da imagem em suas extremidades, resultando em enquadramentos arruinados, movimentos de câmera deformados e rostos dos atores cortados. Um pouco como se A santa ceia, de Leonardo Da Vinci, tivesse suas pontas decepadas, deixando alguns discípulos de Jesus fora de campo – e da história. Para completar o desrespeito, não há qualquer aviso em relação às condições de exibição e o preço cobrado pelo ingresso não sofre qualquer alteração.
Não nos cabe, aqui, pregar a “volta ao 35mm” nem defender determinada resolução mínima para a projeção digital. Sabemos que, se respeitados determinados critérios técnicos – ou seja, se a empresa responsável pela projeção digital receber do distribuidor o master no formato adequado, se o processo de encodamento for feito corretamente, e se os ajustes necessários para a exibição de cada filme forem realizados cuidadosamente –, a projeção digital pode ser uma experiência perfeitamente satisfatória para o espectador.
Não é isso, porém, que tem ocorrido. Exibidores, distribuidores e os fornecedores do serviço da projeção digital são responsáveis pela má qualidade da projeção e coniventes com esse lamentável descaso geral, que tem deixado críticos e amantes de cinema indignados. É um desrespeito ao cinema e aos seus criadores, mas, sobretudo, ao espectador e consumidor final, que saiu de casa e pagou ingresso para ver um filme.
A situação chegou a um ponto intolerável. Pedimos a todos os profissionais envolvidos com a projeção digital que tomem providências para que tais deformações não se repitam.
Sábado, Setembro 19, 2009
Postado por Fábio Andrade às 10:25 AM
Tem poucos momentos que me engajam realmente, mas é um filme muito mais consciente de seus joguetes com novas mídias do que REC ou Cloverfield. 
















Assim como em O Céu de Suely, o filme deixa de ser grande pelo excesso de zelo em levar suas opções às últimas consequências.
Soderbergh voltando ao terreno que melhor lhe cabe, mesmo não atingindo, aqui, resultados tão fortes quanto na série dos 11, 12, 13 Homens.
É um filme bem interessante, embora me impressione mais que cada novo filme de Jia Zhang-ke me pareça um pouco mais fraco que o anterior. Sexta-feira, Setembro 11, 2009
Postado por Fábio Andrade às 2:26 PM
Convite
Para a sessão de inauguração, a Cinética programou os filmes Ninotchka, de Ernst Lubitsch; eOndas do Destino, de Lars Von Trier. Ambos os filmes serão exibidos em cópias 35mm, nas janelas corretas de exibição, com legendas em português, e a entrada é gratuita. Estão todos convidados. A próxima sessão será dia 11 de Outubro, e os filmes serão anunciados aqui em breve.
Sessão Cinética - Domingo, 13/09
16hs
Ninotchka, de Ernst Lubitsch (EUA, 1939), 110 minutos
18hs
Ondas do Destino (Breaking the Waves), de Lars Von Trier (Dinamarca, 1996), 159 minutos.
Instituto Moreira Salles
Rua Marquês de São Vicente, 476, Gávea
cep: 22451-040. Rio de Janeiro - rj
Tel.: (21) 3284-7400; Fax: (21) 2239-5559
www.ims.com.br
Ambiente WiFi
Acesso a portadores de necessidades especiais
Estacionamento gratuito no local
Capacidade da sala: 113 lugares
COMO CHEGAR
As seguintes linhas de ônibus passam em frente ao IMS:
- 158 - Central-Gávea (via praça Tiradentes, praia do Flamengo, metrô Botafogo)
- 170 - Rodoviária-Gávea (via Rio Branco, largo do Machado, metrô Botafogo)
- 592 - Leme-São Conrado (via Rio Sul, metrô Botafogo)
- 593 - Leme-Gávea (via Barata Ribeiro, Prudente de Morais, Bartolomeu Mitre)
Terça-feira, Setembro 08, 2009
Postado por Fábio Andrade às 1:02 PM
Sábado, Agosto 15, 2009
Postado por Fábio Andrade às 10:57 AM
Iggy Pop
Sábado, Agosto 08, 2009
Postado por Fábio Andrade às 1:56 PM

Segunda-feira, Julho 20, 2009
Postado por Fábio Andrade às 7:16 PM
A produção da distância
Untitled (1988/90), de Zoe Leonard;
Sábado, Julho 18, 2009
Postado por Fábio Andrade às 2:29 PM
Like a hurricane
Sexta-feira, Julho 17, 2009
Postado por Fábio Andrade às 1:42 AM
Quarta-feira, Julho 15, 2009
Postado por Fábio Andrade às 8:51 PM
Notas infundadas sobre o envelhecimento



O universo dominante da maturidade de Ensor é frustrante, pois traz para o terreno figurativo questões que já eram plenas quando subcutâneas em seus primeiros trabalhos. A ambivalência em relação à vida aparece tão mais bem expressa em suas pesquisas gestaltistas da relação figura/fundo (e é uma grande ironia que um de seus mais belos quadros se chame The Domain of Arnheim, e seja muito anterior aos estudos de Rudolph Arnheim dos fundamentos da gestalt), onde a figura (pois nem sempre é o ser) aparece tencionada entre a vontade de se ver integrada ao m(f)undo, e a necessidade pessoal de se destacar dele - algo que, talvez, atinja maior nível de clareza em suas gravuras a carvão.
Onde termina o chão? Onde começa o rosto? Um se projeta sobre o outro, e a imagem se torna esse espaço indiscernível, imprecisável, incomensurável. A fase madura de Ensor é por demais auto-consciente, e o auto-retrato não é mais movido pelo drama do desaparecimento, mas sim pelos limites que os separam de suas criaturas. Há, aí, algo de carnavalesco, e não é à toa que o carnaval tenha adotado o termo "alegoria"; há necessidade de clareza, pois o meio (o rapaz que olha para a câmera, naquela foto de Avedon) não é mais o centro de discussão. É apenas um meio, de fato.
Postado por Fábio Andrade às 1:52 AM
Sexta-feira, Julho 10, 2009
Postado por Fábio Andrade às 12:39 PM
Once a sailor, always a sailor
Foto brilhantemente fanfarrona de Richard Avedon, parte de Avedon Fashion, exposição no International Center of Photography.
Quinta-feira, Julho 09, 2009
Postado por Fábio Andrade às 1:40 PM
Cinema Argentino
É bastante expressivo que o brasileiro Curumin tenha fechado sua apresentação de ontem, no Central Park, com uma versão para "Beat It", do Michael Jackson - e ainda mais gritante que tão pouca gente tenha comprado a adulação. Expressivo, pois sela a minha impressão de que o problema mais grave dessa tal nova música brasileira é a vontade excessiva de agradar. Sua música é bem tocada, com boas referências, e tudo mais; mas é simpática demais, redondinha demais. Com isso, se torna inofensiva, inócua, estéril.
Há, no trabalho de Curumin, uma coordenação clara que agrupa muito da música brasileira que funcionou fora do Brasil (de Jorge Ben ao funk carioca), mas que tira delas o fator de risco que lhes era originalmente revigorante. O mesmo acontece com a relação com a música alternativa contemporânea, do que o sampler de violão é o grito mais alto (por que não tocá-lo ao vivo, se o sampler, em si, nada acrescenta?). É Tim Maia sem peso, samba sem a iminência do descontrole, Karnak feito óbvio (em vez de "O mundo caquinho de vidro" temos "A esperança é a última que morre"), Animal Collective como tocador de playback. Falta uma ponta de algo que, talvez, só seja perfeitamente expresso em inglês: edge. Algo que estava lá até mesmo no pior de Caetano, Chico, João Gilberto, ou nos momentos mais auto-indulgentes dos Hermanos.
O show do Curumin fez lembrar o do Ludov que vi no Curitiba Pop Festival (ano do Pixies), em que a vocalista parecia ter medo de deixar dissipar o sorriso constante, como se toda pessoa na platéia fosse um executivo de gravadora em potencial. E poucas coisas são tão repulsivas quanto o sorriso forçado, a simpatia obrigatória.
Juana Molina, por sua vez, foi exatamente o oposto disso. Dá seu boa noite cheio de doçura (mas sempre meio tímido) em vestido xadrez amarelo, e começa logo a impressionar pela destreza e criatividade com que pilota seus aparatos (dessa vez escorados por dois outros músicas - baixo e bateria). Não é pro meu gosto, mas é sempre bom, instigante e sólido. Vi umas cinco músicas (lembrando que eu já tinha visto seu show no ano passado), mas aí ja era tarde para recompor a pau molência proporcionada por Curumin e o dj El G - que animava os intervalos com overdoses de raggaton (vulgo: o ritmo mais chato do mundo, a não ser pela abertura do Beau Travail).

















