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sábado, setembro 19, 2009

It's that time again
Atualizações finais em negrito

Começaram as cabines de imprensa do Festival do Rio 2009. Este ano, estou frequentando as sessões que consigo conciliar com a Semana dos Realizadores - que também terá cobertura na Cinética. Por conta disso, tive que deixar Bad Lieutenant, de Werner Herzog, para ser visto durante o Festival. Ainda assim, farei aqui o mesmo esquema do ano passado: até o fim do Festival eu volto com atualizações diárias, com breves comentários sobre os filmes vistos. Por questão de hábito, continuo com minhas cotações de 1/10, como faço no imdb e no meu Twitter. Espero que sirvam pra alguém. E, claro, críticas mais detidas poderão ser lidas nas atualizações diárias da Cinética.

7/10 - Distrito 9 (District 9)
de Neill Blomkamp (2009, EUA/ Nova Zelândia)

Tem poucos momentos que me engajam realmente, mas é um filme muito mais consciente de seus joguetes com novas mídias do que REC ou Cloverfield.

6/10 - A Terceira Parte do Mundo (La troisième partie du monde)
de Eric Forestier (2008, França)

Uma instigante e nem sempre bem resolvida releitura fantástica de Vive l'amour, de Tsai Ming-liang.

5/10 - Salamandra
de Pablo Aguero (2008, Argentina/ França/ Alemanha)

O filme faz interessantes jogos de ponto-de-vista no começo - que rende, ao menos, um belíssimo plano - mas eles não resistem à sujeira e à sordidez.

8/10 - The Time That Remains
de Elia Suleiman (2009, Reino Unido/ França/ Itália/ Bélgica)

Um contraplano da história.

9/10 - White Material
de Claire Denis (2009, França)

Em breve, crítica minha na Cinética.

9/10 - Morrer Como Um Homem
de João Pedro Rodrigues (2009, Portugal/França)

Exibido na janela correta, sem cortar as cabeças dos atores, é provável que seja uma obra-prima. Tem, seguramente, o plano mais inesquecível de todo o festival.

3/10 - The White Ribbon (Das Weibe Band)
de Michael Haneke (2009, Áustria/ Alemanha/ França/ Itália)

Com crítica minha na Cinética.

9/10 - Bastardos Inglórios (Inglorious Basterds)
de Quentin Tarantino (2009, EUA)

Mais um grande filme de Quentin Tarantino.

2/10 - O Amor Segundo B. Schianberg
de Beto Brant (2009, Brasil)

Constrangedor.

7/10 - Tyson
de James Toback (2008, EUA)

Com crítica minha na Cinética.

6/10 - Porco Cego Quer Voar (Babi buta yang ingin terbang)
de Edwin (2009, Indonésia)

Mesmo ainda um tanto derivativo de Apichatpong Weerasethakul e Tsai Ming-liang, rendeu um alívio genuinamente instigante no meio do Festival.

7/10 - Ricky
de François Ozon (2009, França)

Um filme bonito, de triste leveza. Não vi todos os filmes de Ozon, mas Ricky é o favorito entre os que assisti.

6/10 - Katalin Varga
de Peter Strickland (2009, Romênia/ Reino Unido/ Hungria)

Com crítica minha na Cinética.

7/10 - Bad Lieutenant: Port of Call New Orleans
de Werner Herzog (2009, EUA)

Propositalmente desequilibrado, e ainda assim um filme infinitamente mais forte do que O Sobrevivente.

6/10 - Politist, Adj.
de Corneliu Porumboiu (2009, Romênia)

Os problemas de Politist, Adj. estão no mesmo lugar de seus méritos: é um filme onde tudo se justifica conceitualmente. É difícil não admirar a coesão do projeto, o que não significa que ele seja sempre bem sucedido.

6/10 - Ainda a Caminhar (Aruitemo aruitemo)
de Hirozaku Kore-eda (2008, Japão)

Com crítica minha na Cinética.

6/10 - Queridinho da Mamãe (Momma's Man)
de Azazel Jacobs (2009, EUA)

O diretor lida com uma questão central fortíssima, mas nem sempre extrai dela sua maior potência.

7/10 - Tulpan
de Sergei Dvortsevoy (2008, Cazaquistão/Rússia)

Embora perca o rumo em alguns momentos, sempre que se encontra rende planos inesquecíveis.

8/10 - Vincere
de Marco Bellocchio (2009, Itália/França)

Logo mais, com crítica minha na Cinética.

7/1o - O Dia da Transa (Humpday)
de Lynn Shelton (2009, EUA)

Com crítica minha na Cinética.

7/10 - O Pai dos meus Filhos (Le pére de mes enfants)
de Mia Hansen-Love (2009, França)

A intimidade que Mia Hansen-Love promove entre suas personagens é admirável. Provavelmente ganharia nota maior se, não bastasse o final aberto, a diretora resistisse à tentação da mão pesada, e não colocasse "Que Será Será" na trilha-sonora.

7/10 - O Rei da Fuga (Le roi de l'évasion)
de Alain Guiraudie (2009, França)

Certamente bateria mais forte fora do clima festivalesco, mas Guiraudie fez mesmo um filme divertidíssimo.

3/10 - Marching Band
de Claude Miller (2009, França)

Uma pane no sistema de luz do Estação encerrou a projeção uns 5 minutos antes do final. Ainda assim, já dava pra perceber que toda a força cinematográfica extraída das fanfarras era prontamente anulada pelo recorte simplista das entrevistas.

4/10 - Hotel Atlântico
de Suzana Amaral (2009, Brasil)

O filme de Suzana Amaral impressionou bastante gente boa, mas não me pareceu muito acima do passável. Quando João Miguel entra em cena, Hotel Atlântico cresce bastante, mas não o suficiente para se fazer realmente memorável.

6/10 - Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo
de Karim Ainouz e Marcelo Gomes (2009, Brasil)

Assim como em O Céu de Suely, o filme deixa de ser grande pelo excesso de zelo em levar suas opções às últimas consequências.

9/10 - As Praias de Agnès (Les plages d'Agnès)
de Agnès Varda (2008, França)

De uma falta de pudor desconcertante e linda.

6/10 - O Desinformante! (The Informant!)
de Steve Soderbergh (2009, EUA)

Soderbergh voltando ao terreno que melhor lhe cabe, mesmo não atingindo, aqui, resultados tão fortes quanto na série dos 11, 12, 13 Homens.

5/10 - Erótica Aventura (À L'aventure)
de Jean-Claude Brisseau (2009, França)

Embora me pareça um filme melhor que Os Anjos Exterminadores, vem pra provar que - com a consciência de todas as piadas que isso pode gerar - eu realmente me interesso muito pouco pelo cinema de Brisseau.

7/10 - Viagem aos Pirineus (Le voyage aux Pyrénnées)
de Jean-Marie e Arnaud Larrieu

Filme bastante divertido, que logo terá crítica minha publicada na Cinética.

7/10 - 24 City (Er shi si cheng ji)
de Jia Zhang-ke (2008, China/Hong Kong/ Japão)

É um filme bem interessante, embora me impressione mais que cada novo filme de Jia Zhang-ke me pareça um pouco mais fraco que o anterior.

8/10 - Singularidades de uma Rapariga Loura
de Manoel de Oliveira (2009, Portugal/França/Espanha)

Mais um belo filme de Manoel de Oliveira - desta vez, um conto moral - com um punhado de cenas feitas inesquecíveis por sua sempre peculiaríssima mise en scène.

1/10 O Clone Volta Pra Casa (Kurôn wa kokyô wo mezasu)
de Kanji Nakajima (2006, Japão)

As tentativas de imitar Apichatpong Weerasethakul rendem, no máximo, uma outra risada de constrangimento.

8/10 Barba Azul (Barbe Bleue)
de Catherine Breillat (2009, França)

Com algo de Rohmer, Catherine Breillat faz um lindo filme sobre a interação entre mitos e realidade, e especialmente a maneira como cada pessoa responde e confronta o universo da ficção.

O Mercado (Pazar - Bir ticaret masali)
de Ben Hopkins (2008, Alemanha/Turquia/Reino Unido/Casaquistão)

2/10 - Filme bastante fraco, bem desesperado para se fazer forte.

Tóquio! (Tokyo!)
de Michel Gondry, Leos Carax e Bong Joon-ho (2008, França/Japão/Alemanha/Coréia do Sul)


7/10 - Os três episódios têm momentos de bastante força, embora elas venham de lugares diferentes. Rende uma sessão bem interessante.

Jericó (Jerichow)
de Christian Petzold (Alemanha, 2008)

4/10 - O estranho suspense da primeira hora garante um interesse que se esvai por completo à medida em que o jogo do filme fica suficientemente claro.

Arranca-me a Vida (Arráncame la vida)
de Roberto Sneider (México, 2008)

1/10 - Romance histórico modorrento, como Hollywood já não faz há uns 20 anos. Dá pra imaginar uma versão Globo Filmes com Débora Duarte e Antônio Fagundes nos papéis principais.

35 Doses de Rum (35 rhums)
de Claire Denis (França, 2008)

8/10 - Refilmagem de Claire Denis para Pai e Filha, obra-prima de Yasujiro Ozu. Não é do nível de Beau Travail ou Trouble Every Day, mas cresce muito na segunda metade. Alex Descas continua uma das presenças mais assombrosas do cinema contemporâneo.

sexta-feira, setembro 11, 2009

Convite


Amigos, a partir deste domingo - 13/09 - começa uma parceria bacana entre a Cinética e o Instituto Moreira Salles aqui do Rio de Janeiro, promovendo sessões duplas de cinema uma vez ao mês, com entrada gratuita. A curadoria é minha, e dos amigos Rodrigo de Oliveira e Leonardo Sette, e será um prazer receber vocês por lá. Segue abaixo o texto oficial publicado sobre a sessão na Cinética.

* * *

Dia 13 de Setembro, domingo, marcará a estréia da Sessão Cinética. Uma vez ao mês, a Cinética levará dois filmes à tela do cinema do Instituto Moreira Salles, no Rio de Janeiro, abrindo mais um espaço de reflexão e apreciação de filmes fora do circuito exibidor tradicional. As sessões são duplas e começam às 16hs, e a curadoria tem a intenção de programar obras importantes de circulação restrita nas salas brasileiras, respeitando ao máximo as características originais de projeção de cada filme. Além disso, críticos da revista produzirão textos especiais para as sessões – que serão distribuídos no local, e publicados posteriormente aqui – e mediarão um debate após a exibição do segundo filme da noite.

Para a sessão de inauguração, a Cinética programou os filmes Ninotchka, de Ernst Lubitsch; eOndas do Destino, de Lars Von Trier. Ambos os filmes serão exibidos em cópias 35mm, nas janelas corretas de exibição, com legendas em português, e a entrada é gratuita. Estão todos convidados. A próxima sessão será dia 11 de Outubro, e os filmes serão anunciados aqui em breve.

Sessão Cinética - Domingo, 13/09

16hs
Ninotchka, de Ernst Lubitsch (EUA, 1939), 110 minutos


18hs
Ondas do Destino (Breaking the Waves), de Lars Von Trier (Dinamarca, 1996), 159 minutos.

Instituto Moreira Salles
Rua Marquês de São Vicente, 476, Gávea
cep: 22451-040. Rio de Janeiro - rj
Tel.: (21) 3284-7400; Fax: (21) 2239-5559
www.ims.com.br
Ambiente WiFi
Acesso a portadores de necessidades especiais
Estacionamento gratuito no local
Capacidade da sala: 113 lugares

COMO CHEGAR
As seguintes linhas de ônibus passam em frente ao IMS:
- 158 - Central-Gávea (via praça Tiradentes, praia do Flamengo, metrô Botafogo)
- 170 - Rodoviária-Gávea (via Rio Branco, largo do Machado, metrô Botafogo)
- 592 - Leme-São Conrado (via Rio Sul, metrô Botafogo)
- 593 - Leme-Gávea (via Barata Ribeiro, Prudente de Morais, Bartolomeu Mitre)

sexta-feira, maio 15, 2009

Cinética


Como já faz um tempo que não aviso sobre meus textos pra Cinética, segue uma lista das últimas coisas que escrevi pra lá. 

- Crítica de Eu Te Amo, Cara - filme de John Hamburg;
- Crítica do incrível Beijo Na Boca, Não - lançamento brasileiro bem atrasado para o filme de Alain Resnais;
- Crítica do não menos incrível Moscou, filme de Eduardo Coutinho visto no último É Tudo Verdade que ganha, também, outros três textos na revista;
- Ensaio sobre O Lutador, de Darren Aronofsky, à luz de Last Days, de Gus Van Sant; 
- Ensaio a partir da mostra dedicada à cineasta belga Chantal Akerman, que motiva ainda outros oito textos na revista;
- Declaração de amor aos filmes de Stan Brakhage, ao lado de três outros textos sobre o cineasta. 

Por lá, você ainda pode acompanhar a cobertura diária do Festival de Cannes 2009, ler críticas de outros filmes em cartaz e ensaios a partir da retrospectiva Marguerite Duras. Boa leitura. 

sexta-feira, janeiro 23, 2009

Mostra de Cinema de Tiradentes

Passarei a próxima semana cobrindo a Mostra de Cinema de Tiradentes para a Cinética. A demanda da cobertura provalvemente me afastará desse blog até o final do mês, reservando-me às palavras diárias sobre a Mostra lá na Cinética. Tentei deixá-los com um post especialíssimo, mas é claro que tudo deu errado na última hora. Fica pra volta.

Mas especial, especial mesmo, é que, além de ofercer a chance de ver filmes de vários amigos, a Mostra de Tiradentes marca a primeira exibição mundial de No Meu Lugar - primeiro longa do amigo Eduardo Valente, que traz em sua trilha-sonora duas canções do Driving Music. O filme sai de Tiradentes direto para Cannes, e tem estreia no circuito brasileiro prevista para Abril. A sessão de No Meu Lugar em Tiradentes rola no Cine-Tenda, dia 30/01, às 22h e, como em toda a Mostra, a entrada é gratuita.

sábado, outubro 11, 2008

Festival do Rio 2008 – Balanço geral

Em primeiro lugar, registro aqui meu agradecimento aos leitores que, durante o festival, fizeram a média diária de acessos ao blog dobrar. Se eu ligasse um pouco mais pra essas coisas, a partir de hoje o blog passaria a ser um cópia ilustrada das minhas cotações do imdb. Como eu sou burro, retornarei aos textos que só a metade de vocês tem paciência de ler.

Muito por isso, achei que a experiência merecia um post um pouco mais longo, com comentários mais detidos e alguns gracejos que serviam pra puxar assunto com os amigos após os filmes. Aos que já ouviram algumas deles, mil perdões, mas sou famoso por contar as mesmas piadas várias vezes para todos que eu conheço. Ao menos isso já o classifica como meu amigo. Comecemos, então.

Ausências

Para quem acompanhou com interesse as primeiras programações divulgadas pela organização do Festival, é impossível não lamentar a ausência de, ao menos, quatro filmes:

- 35 Doses de Rum (35 Rhums) – de Claire Denis;
- Che – de Steve Soderbergh;
- Ponyo On The Cliff By The Sea – de Hayao Miyazaki;
- Blue – de Derek Jarman;

Os dois primeiros ficaram sem horários programados no site, e nem chegaram a sair no caderno especial do Globo. Ponyo caiu por determinação do estúdio do Miyazaki, e Blue não chegou nem pra repescagem. De qualquer maneira, são ausências que minguaram sensivelmente a programação. Se somarmos a isso a ausência do vencedor da Palma de Ouro desse ano (Entre Os Muros, que parece confirmado pra Mostra de SP), e de novos filmes de Jia Zhang-ke, Agnés Varda, Abbas Kiarostami e Johnny To (pra ficar nos que vêm à cabeça agora), qualquer intenção de cobrir os filmes mais importantes dos últimos anos (já que filmes como A Viagem do Balão Vermelho, Inútil e Na Cidade de Sylvia já tinham passado em SP no ano passado) vai pro ralo.

Salas

Destaque inevitável para a inclusão do Estação Vivo Gávea – salas novas, com os melhores projetores, o melhor som e – grande destaque – espreguiçadeiras confortabilíssimas nas primeiras filas de duas delas (não conheço a sala 3, mas pode ser que elas existam por lá também). Até a menor – sala 4 – tem uma tela bem razoável, e as espreguiçadeiras ficam a uma distância aceitável da tela. Se não fosse o ar condicionado brutal da Sala 5, ela se firmaria como nova sala favorita no Rio de Janeiro.

Risquei logo da lista o Botafogo 3, por ter tido minha entrada com credencial dificultada por funcionários e gerência da sala. Tive problemas nos primeiros dias no Espaço de Cinema, mas depois a coisa se normalizou. E o Botafogo 1 se firma como a pior entre as salas grandes da zona sul: projetor com lâmpada fraquinha, som em mono e cadeiras que, só na repescagem, me deixaram com uma dor na coluna que ainda não me abandonou.

Ruin

As projeções digitais da Rain continuam uma incógnita completa. Embora Inútil tenha tido uma belíssima projeção digital no Botafogo 1 (nas cabines) – a ponto de eu desejar que o Em Busca da Vida não tivesse sido lançado com aquele transfer safado – as outras duas sessões que vi em digital foram lamentáveis: Minha Mágica virou uma escuridão só, e Conto de Natal passou em um quase-VHS, com as laterais cortadas. Assim que vi o primeiro plano, abandonei a sessão.

Desejos não cumpridos (ou, Queria muito, mas não deu pra ver)

- Guerra Sem Cortes (Redacted) – de Brian De Palma (que tenho em DVD, mas não assisti ainda);
- Alexandra (Aleksandra) – de Aleksandr Sokurov
- Sob Controle (Surveillance) – de Jennifer Lynch
- Happy Go-Lucky – de Mike Leigh
- Ninho Vazio (El nido vacío) – de Daniel Burman
- Queime depois de ler (Burn After Reading) – de Joel & Ethan Coen
- O Casamento do Rachel (Rachel’s Getting Married) – de Johnathan Demme
- Todos Têm Problemas Sexuais – de Domingos Oliveira
- Ballast – de Lance Hammer
- Vicky Cristina Barcelona – de Woody Allen

Fora as retrospectivas de Derek Jarman, irmãos Taviani, e as Divas Italianas.

Aos filmes, então

1 – Sonata de Tóquio (Tôkyô Sonata) – de Kiyoshi Kurosawa

Meu favorito, já com crítica minha na Cinética.

2 – A Viagem do Balão Vermelho (Le Voyage du Ballon Rouge) – de Hou Hsiao-hsien


A musicalidade do cinema de Hou Hsiao-hsien, exuberante em um de seus mais singelos filmes. Sentindo o ritmo da construção visual de Hou, percebi que a única personagem chinesa de A Viagem do Balão Vermelho se chamava Song Chan, e que a inversão do nome era quase igual a chanson – palavra francesa para “canção” – e que eu seria capaz de escrever uma crítica inteira partindo disso aí. Até que percebi que o nome dela era Song Fang, e meu mundo todo ruiu.

3 – Aquele Querido Mês de Agosto – de Miguel Gomes

Dicão do Eduardo Valente, que se firmou como uma das melhores lembranças do Festival. Queria ter revisto, mas não ficou pra repescagem. Além de começar com um poema de João de Deus, é um filme especialmente forte, para mim, por reviver minha infância em cidade pequena, com festinhas parecidas com aquelas, mitologias populares parecidas com aquelas, e bandas de baile parecidas com aquelas. Lá pro final do filme, a banda toca e uma criança fica dançando na frente do palco, e aquilo ali me pareceu muito próximo das minhas recordações de vida mais antigas. E sim, eu sei que, no filme, a criança é uma menininha, mas vamos lá.

4 – A Mulher Sem Cabeça (La Mujer Sin Cabeza) – de Lucrecia Martel

A melhor adaptação acidental de Clarice Lispector já feita pro cinema, o fime de Lucrecia Martel parece um híbrido entre O Crime do Professor de Matemática e Amor (dois dos melhores contos de Laços de Família). As comparações com Lynch são acertadas, mas passei o filme pensando em 2046 (e em Brian De Palma), porque a maneira que a Lucrecia Martel trabalha o cinemascope é tão única quanto. E têm aqueles olhos inesquecíveis, em uma inversão da Maria Falconetti de A Paixão de Joana D’Arc, como o Reygadas adoraria ser capaz de fazer. Grande filme.

5 – Pai Patrão (Padre Padrone) – de Vittorio e Paolo Taviani

Talvez o melhor filme já feito sobre enfiar coisas pontudas em animais.

6 – Sad Vacation – de Shinji Aoyama


Em breve com crítica na Cinética.

7 – Noite e Dia (Bam gua nat) – de Hong Sang-soo

Com crítica minha na Cinética.

8 – Na Cidade de Sylvia (En La Ciudad de Sylvia) – de José Luís Guerín

Mais do que um belo filme, me parece um filme de belíssimas partes. Curiosamente, o todo não me emociona tanto quanto os momentos individuais. Ainda assim, a parte do café, a edição de som no Les Aviateurs, e aquelas fusões do rosto da Sylvia sobre os trens que correm, ao final do filme, são absolutamente asfixiantes. Queria gostar mais, mas só gosto muito, muito mesmo. Só.

9 – A Fronteira da Alvorada (La Frontière de l'aube) – de Phillipe Garrel

Tem dois momentos absolutamente antológicos:

1 – Quando Laura Smet adormece, um dos seus seios pende para fora da camisola, e o Louis Garrel vai lá acertar a roupa da moça;
2 – Quando ela cochicha no ouvido dele algo como: “Sabe o que eles dizem nas canções? É tudo verdade”. Melhor fala de todo o Festival.

10 – Segurando as Pontas (Pineapple Express) – de David Gordon Green

Com crítica minha na Cinética.

11 – Les Amours D’Astrée et de Céladon – de Eric Rohmer

Mais do que um filme de época, um filme sobre a representação de um filme de época.

12 – Cinzas do Passado Redux (Ashes of Time Redux) – Wong Kar-wai

Nunca foi dos meus favoritos de Wong Kar-wai, e se manteve razoavelmente igual na revisão. A mexida nas cores tem resultados ora interessantes, ora exagerados demais. Embora exibido em película, a correção de cores digital deixou a cópia final com uma baita cara de vídeo. Tenho curiosidade de saber o que o Chris Doyle (fotógrafo do filme, hoje brigado com Wong Kar-wai) achou do resultado.

13 – Velha Juventude (Youth Without Youth) – Francis Ford Coppola

Um filme sobre a história da imagem, desde sua formação física invertida, até à imagem especular de Gilles Deleuze. Gratíssima surpresa, mas seria ainda melhor se não tivesse aquela barriga explicativa que o Coppola se obriga a engolir logo depois da primeira hora. Não fosse aquilo, poderia ser um dos melhores filmes de Alain Resnais.

14 – Leonera – de Pablo Trapero

Martina Gusman possui um magnetismo cinematográfico como eu não via desde Rosane Mullholand, em Falsa Loura.

15 – Na Guerra (De la guerre) – de Bertrand Bonello

Para o bem e para o mal, o que acontece quando um cineasta francês se encanta com Mal dos Trópicos, de Apichatpong Weerasethakul.

16 – Aquiles e a Tartaruga (Achilles to kame) – de Takeshi Kitano

Em breve com texto na Cinética.

17 – A Erva do Rato – de Julio Bressane

Cleber Eduardo, alguns dias depois: “Vocês viram que a dublê de vulva do filme se chama Floresta Perpétua?”.

18 – Inútil (Wuyong) – de Jia Zhang-ke

Um Jia Zhang-ke menor, mas que ainda traz planos incríveis como o casal andando de moto, os garotos andando de bicicleta, e os filhotes de cachorro disputando as tetas da mãe.

19 – Vocês, Os Vivos (Du Levande) – de Roy Andersson

Absolutamente adorável, embora nem sempre forte, o filme de Roy Andersson tem um trunfo preciosíssimo: parte de um deboche da tal “estética de festival” (os planos em tableu, o esvaziamento psicológico das personagens, a musicalidade) e, com isso, revitaliza essas convenções como há muito não se via.

20 – O Lar (Home) – de Ursula Meier

A mais grata surpresa de todo o festival, com texto meu na Cinética.

21 – Glória Ao Cineasta (Kantoku * Banzai!) – de Takeshi Kitano

Já tinha visto em DVD e, com o atraso da cópia, acabei não revendo no Festival. Quando Kitano sacaneia todo o cinema de seus pares (de Wong Kar-wai aos espadachins voadores de Ang Lee e Zhang Yimou), é absolutamente hilário. Fica um tanto auto-indulgente na segunda parte, com altos bem altos, e baixos bem baixos. Kitano anda malucão.

22 – Quatro Noites com Anna (Cztery noce z Anna) – de Jerzy Skolimowski

Talvez o 23o melhor filme já feito sobre enfiar coisas pontudas nos animais. Com texto meu na Cinética.

23 – O Último Reduto (Dernier Maquis) – de Rabah Ameur-Zaimeche

Um filme neo-leninista sobre a força do trabalho, em que o próprio diretor interpreta um vilão chamado Mao.

24 – Sukiyaki Western Django – de Takashi Miike

Outro malucão japonês, que também se equilibra parcamente entre o trabalho apaixonado das referências e um senso de paródia meio aborrecido. Tem bons momentos, mas está longe de se aproximar dos melhores filmes de Miike.

25 – Juventude – de Domingos Oliveira

Com texto meu na Cinética.

26 – Sobre o Tempo e a Cidade (Of Time and the City) – de Terence Davies

Filme quase sempre bonito, mas nunca realmente arrebatador. Fica ali, naquele espaço morno e nada desagradável, junto com diversas outras maneiras interessantes de se queimar duas horas de vida.

27 – Waltz with Bashir – de Ari Folman

Em breve com texto meu na Cinética. Seria ótimo se fosse tão bom de assistir quanto é consciente do que faz.

28 – CSNY Déjà Vu – de Bernard Shakey

Apesar de todos os graves pesares, ainda assim tem o Neil Young. Com texto meu na Cinética.

29 – Sol Secreto (Milyang) – de Lee Chang-dong

Uma chatice razoável com alguns planos interessantes. Meu mundo não é tão pesado, e não é sempre que quero assumir o peso do dos outros. Guardo isso pro próximo da Naomi Kawase.

30 – Casa Negra (Geomeun jip) – de Terra Shin

Com crítica minha na Cinética.

31 – Minha Mágica (My Magic) – de Eric Khoo

Vou resistir ao ímpeto natural de fazer uma piada com o sobrenome do diretor. O filme não é mais que uma doce nulidade.

32 – Ano Unha (Año Uña) – de Jonás Cuarón

Com crítica minha na Cinética.

33 – Il Divo – de Paolo Sorrentino

Em breve com crítica minha na Cinética.

34 – Filme Pirata (Kaizokuban Bootleg Film) – de Masahiro Kobayashi

Outra chatice com bons enquadramentos, só que em vez do peso desmedido do luto, piadas sem graça sobre Quentin Tarantino e O Poderoso Chefão. O que, de alguma maneira, consegue ser ainda mais chato (só que com mais de uma hora a menos). Antes se reduzisse a um simples clone de Seijun Suzuki.

35 – Gomorra – de Mateo Garrone

É bastante revelador que, enquanto proposta de denúncia, a única força do filme venha justamente das cenas dos assassinatos. Garrone fez o filme errado.

36 – Joe Strummer: O Futuro Está Para Ser Escrito (Joe Strummer: The Future is Unwritten) – de Julien Temple


Com crítica minha na Cinética.

37 – Delta – de Kornél Mundruczó

Com crítica minha na Cinética.

38 – Paris – de Cédric Klapisch

Além da crítica que escrevi pra Cinética, apresento, aqui, as duas fotos do filme que eu escolhi pra matéria, mas que o Valente achou que eram engraçadas demais.


39 – Liverpool – de Lisandro Alonso

Liverpoop.

40 – Entre Cães e Deuses (Liu lang shen gao ren) - de Singing Chen

Com crítica minha na Cinética.

41 – RockNRolla – de Guy Ritchie

Com crítica minha na Cinética.

42 – O Visitante (The Visitor) – de Thomas McCarthy

Um imigrante sírio que, mesmo na casa dos outros, só curte tocar tambor de cueca.