quinta-feira, junho 05, 2008

Melhores de 2007

02 – Wilco – Sky Blue Sky




Quando escrevi, na minha lista de filmes, sobre Os Donos da Noite, de James Gray, lembro de ter ressaltado a surpreendente força extraída, pelo diretor, de construções narrativas absolutamente clássicas, habilmente contrapostas a um mundo em que o esvaziamento narrativo se tornou lugar comum. De certa forma, sentimento muito próximo me tomou ao ouvir, pela primeira vez, Sky Blue Sky – a mais nova obra-prima do mais genial grupo de rock de nosso tempo (superlativos sempre insuficientes). Mas, enquanto o projeto de cinema de Gray responde a seus pares, a conversa do Wilco é com seu próprio passado. Jeff Tweedy, o líder da banda, inventou o alt-country ainda na adolescência, tocando com o fundamental Uncle Tupelo. Finada a banda, Tweedy forma o Wilco com a ambição de desconstruir o gênero que ajudara a criar. Abre esse processo com certa timidez, em AM, disco que – embora promovesse um frutífero flerte do gênero com o indie pop – serve mais como um ótimo espanador do que como retrato do potencial da banda.

A partir do ambicioso álbum duplo Being There, Tweedy e escudeiros sujam as mãos pondo ao chão suas próprias fundações, em canções que sorvem goles de sabores tão diversos como Velvet Underground (“Misunderstood”), David Bowie (“Sunday” – quase-plágio inspiradíssimo de “Rebel, Rebel”) e Beach Boys (“Outta Site, Outta Mind”), passeando pelo rock setentista (“I Got You (At the End of the Century)”), o pop atemporal (na belíssima “Say You Miss Me”) e o country da idade do mundo (“Someday Soon”). Recolhem e reempilham os tijolos em Summerteeth - disco impressionante por sua capacidade de ser mais desafiador à medida que se revela mais pop – para depois derrubá-los novamente com os monumentais Yankee Hotel Foxtrot e A Ghost Is Born.

Sky Blue Sky nasce como resposta a uma inevitável interrogação: quais canções seriam possíveis após o fim do mundo? Pois não é menos que o apocalipse o que a banda buscava com A Ghost Is Born. Enquanto Yankee Hotel Foxtrot cantava os restos do mundo, seu sucessor tentava traduzir em canções o som da deterioração desses restos. Sons produzidos pelo seu próprio desaparecimento. Vácuos que poderiam circular aprisionados em um eterno andamento (“Spiders (Kidsmoke)”), na balada do desejo de auto-aniquilação (“Handshake Drugs”), nas asas de um espírito do passado (“Hummingbird”), ou na insuportável prisão de um ruído sem pausas (o pós-canção de “Less Than You Think”). O aceno de resposta vinha, porém, ao fim do funeral: após o prólogo de “Less Than You Think”, somos presenteados com uma nostálgica e quase frívola cançãozinha chamada “The Late Greats”. “The best life never leaves your lungs”, canta o defunto. Troca-se o desejo de encontrar curvas no minimalismo por um retorno ao útero (à terra, se pensarmos em Naomi Kawase) das canções pop, em sensação próxima à alcançada pela última parte de Nossa Música, de Jean Luc-Godard.

Depois de destruir o mundo, parece nos responder o Wilco, a única coisa decente a se fazer é pedir desculpas. Pois é como uma longa retratação que Sky Blue Sky se configura. Não temos mais esquinas que dão em outras esquinas. Como deixa clara a repetição de seu próprio título, a ambição do Wilco parece ser dar a volta no mundo em uma só reta, para chegar, enfim, novamente ao princípio. Esse desejo é cuidadosamente arquitetado em todos os níveis que discursam em Sky Blue Sky: enquanto Yankee Hotel Foxtrot era fruto do empenho de se extrair novas texturas sonoras pela manipulação sonora promovida pela tecnologia, Sky Blue Sky é gravado e mixado como um disco de 30 anos de idade. A bateria é encaixada em um canto dos headphones, seca em espacialidade como costumava ser antes do abuso de compressão se tornar lei de mercado; as texturas são extraídas de instrumentos essencialmente orgânicos (órgãos, claro, mas também violinos e a slide guitar de Nels Cline), não mais de plug-ins de Pro-Tools; a voz de Tweedy, mais áspera e imperfeita do que jamais foi, troca o universo imagético críptico dos discos anteriores pelo encanto diante da cor do céu.

Depois do fim do mundo, temos a infância do mundo. A vida se torna circular quando os homens se percebem inseridos em uma horizontalidade absoluta. Depois do azul do céu, existe, ainda, o céu azul. As vontades e as satisfações, em Sky Blue Sky, são as mais mundanas. “With a sky blue sky / This rotten time / Wouldn’t seem so bad to me now”, canta Tweedy na faixa-título. “Oh I didn’t die / I should be satisfied / I survived / That’s good enough for now”. O mundo acabou, mas o sujeito percebe que ainda está vivo. E esse olhar recém-ressucitado é capaz de uma generosidade extraordinária. Enquanto A Ghost Is Born era um mergulho no ser-eu, Sky Blue Sky é um conjunto de pequenas epifanias mundanas. É a tradução musical do eterno retorno. É um disco sobre a intensa sensação de pertencimento ao mundo.

Muito por isso, é um álbum obcecado com a idéia do movimento da vida. Logo na primeira faixa, “Either Way”, Tweedy se entrega a um jogo de “talvez” que vem justamente colocar suas canções em um ritmo uno, inabalavelmente mantido ao longo de todo o disco. “Maybe you still love me / Maybe you don’t”. Nove faixas depois, na deliciosa “Walken”, encontraremos compasso parecido em “I was singing / This song about you / I was thinking about singing / This song for you” – sensação que se repete no título de “Leave Me (Like You Found Me)”; ou na reiteração que é ferramenta para a aceitação do inevitável em “Hate It Here”; ou ainda como “white light”, “one light” e “what light” se misturam na penúltima canção do disco. Tweedy busca força na repetição dos fonemas (ou dos riffs – como em “Impossible Germany”), e aproveita a abundância de consoantes da língua inglesa como tradução concreta desse sentimento de repetição, de retorno.

Mas se a repetição nos leva do fim ao princípio, não existem fins nem princípios. O que existe é o som de uma vogal que atravessa o tempo, soando, soando, soando. Tweedy atinge, enfim, o objetivo que colocará para si no primeiro verso de "Hummingbird": torna-se um eco. A busca quase budista pelo som do universo fecha o disco em “On And On And On” – a canção que a banda parece ter passado todos esses anos tentando fazer. As vogais são reinterpretadas pela linha-base de piano e guitarra – que, conscientemente, evita que o som do contato dos dedos com os instrumentos interrompa o soar das notas, como as consoantes interrompem o som que sai pela boca. O Wilco realiza, com esse último e brilhante número, a canção-de-ninar que a banda já, antes, buscara um sem número de vezes (“In A Future Age”, “My Darling”, “Reservations”, “Wishful Thinking”). E com isso, Sky Blue Sky faz valer a máxima de que as obras-de-arte mais bem acabadas são aquelas construídas com um rigor formal tão absoluto que ele se torna transparente. Vê-se através dele como se ele não estivesse ali. Em canção que continua soando após o disco acabar, voltamos ao início novamente, no delicioso movimento de, ao fim de Sky Blue Sky, continuar enfileirando blue sky blue sky blue...


For Dummies
Álbuns do Wilco recomendados em ordem decrescente de interesse:

01 - Sky Blue Sky (2007)
A Ghost Is Born (2004)
Yankee Hotel Foxtrot (2002)
Summerteeth (1999)
Being There (1996)

06 - AM (1995)

segunda-feira, junho 02, 2008

Music in a foreign language


Agora há pouco, na minha habitual sessão de pilates, o dj da Antena 1 se deixou levar pelo senso de humor que só chega ao fim do expediente, e botou pra rolar "Take A Walk On The Wild Side". E as velhinhas, se alongando nas bolas de borracha como se não houvesse amanhã, não tinham a menor idéia de que, naquele mesmo ambiente, alguém cantava sobre travecos e felação.

Cinética

Percebi que desde o É Tudo Verdade não atualizo, por aqui, minhas contribuições cinéticas. Aproveito, então, a entrada de duas novas críticas, para lembrar outras que se perderam nesse lapso.

- Texto em um debate acerca de Speed Racer, dos irmãos Wachowski
- Crítica sobre Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal, de Steven Spielberg
- Artigo remanescente do É Tudo Verdade sobre o épico Além dos Trilhos, de Wang Bing
- E críticas anteriores sobre Maratona do Amor, de David Schwimmer, e Quebrando a Banca, de Robert Luketic.

quinta-feira, maio 29, 2008

Melhores de 2007

03 – Bruce Springsteen – Magic


Em época em que todo estreante já é capaz de se entregar aos prazeres da auto-referência, a diferença substancial só vem às claras quando um sujeito com uma obra monumental, como é o caso de Bruce Springsteen, devolve ao processo a força de seu significado. Em 30 anos de carreira, Bruce vem re-escrevendo uma relação apaixonada – e, por isso mesmo, conflituosa – com seu próprio lar, tanto geográfico quanto musical. A auto-referência se expande em Magic, arrebentando as correntes do fascínio por um mundo ficcional hermético, e, como um papel dobrado, promovendo encontro entre pontos que o tempo e o espaço separaram em distância. Depois de 30 anos de plena invenção musical, Bruce resolve olhar para o passado com uma abrangência que sua pontualidade política nunca permitira e faz, com isso, um de seus melhores álbuns.

Tratando-se de um sujeito que sempre se colocou no mesmo plano de seu país, é bastante significativo que o desvio do olhar se dê no presente momento. Com The Rising, seu extraordinário disco pós-11 de Setembro, Springsteen se via diante de um lar partido. Como lhe é de praxe, sua exaltação do heroísmo do homem comum vagava pelos destroços de uma terra que, imortalizada em décadas de suas próprias canções, parecia irreconhecível. Devils & Dust, de 2005, iniciava o retorno ao passado pela exceção: era uma visita ao universo sombrio e in progress de Nebraska (já revisitado, pouco antes, em The Ghost of Tom Joad), seu disco de demos acústicas lançado em 1982. O retorno é significativo, pois Nebraska era, sobretudo, um disco de luto. Esse luto se manifestava por uma dupla via metalingüística, desnudando as canções dos arranjos da E Street Band em uma terra onde as pessoas matam e morrem porque caminham pelo mundo. Nos primeiros versos das faixas que entitulam e abrem ambos os álbuns, encontramos frases como “Me and her went for a ride sir and ten innocent people died” (em “Nebraska”) e “I got my finger on the trigger / But I don't know who to trust” (em “Devils & Dust”). Depois do esvaziamento do conforto da era Clinton em The Ghost of Tom Joad, e da destruição que reaquecia a fé em The Rising, o homem comum springsteeneano caminhava pelo deserto sempre com um dedo no gatilho.

Mas Bruce sempre foi, em sua alma, um progressista. Se o terror faz uma sombra momentânea em suas canções, é apenas pelo tempo necessário para recolher os cacos e começar sua reconstrução. A resposta mais eloqüente à era Bush viria em 2006, com We Shall Overcome: The Seeger Sessions. Em seu primeiro disco de covers, Bruce ressuscitava as canções de Pete Seeger, o homem-ícone da transformação pregada pelo movimento folk norte-americano (embora, para a música pop, tenha ficado marcado como o sujeito conservador que tentara desplugar Bob Dylan no lendário concerto de 1965). Da crise mais aguda, ouvíamos ressurgir o coro de “We Shall Overcome”, injetando vida em um país pela rememoração de sua própria luta, da resistência de virtudes abandonadas no passado.

Com exceção de seus marcados discos de luto, a carreira de Bruce Springsteen pode ser pensada, retrospectivamente, em blocos temáticos. O primeiro momento é o da juventude encantada pela música negra norte-americana, com Greetings from Asbury Park, N.J. e The Wild, The Innocent and the E Street Shuffle (ambos de 1973). Em seqüência, os épicos proletários de Born to Run (1975) e Darkness on the Edge of Town (1978). A entrada na nova década é marcada pelo deslumbramento diante da possibilidade de se criar uma nova estética pop-rock, tomada por sintetizadores e texturas outras, que vão do esplendor criativo (The River e Born in the USA) ao princípio da decadência (a dupla Human Touch e Lucky Town, de 1992). E aí entramos, enfim, na era de nostalgia pós-Rising, da qual Magic se firma como presença mais otimista.

Não à toa, esse momento coincide com a possível renovação democrata norte-americana, em um ano em que os cantos de resistência podem dar lugar à revitalização dos ícones e dos valores de uma América em reconstrução (já que a iminência das crises políticas e econômicas nunca interessou Bruce – em essência, um sujeito movido por conseqüências, e não causas). O passeio pelo passado – mais ou menos longínquo – vai buscar o que mereceria preservação por ressoar no mundo de hoje. De toda aquela divisão em temas do parágrafo anterior, só uma permanece inacessível: a juventude. A volta aos primeiros dias é impossível, pois a força daquele momento sobrevive, de fato, na fugacidade dos olhos frescos. Hoje, Bruce Springsteen é um senhor de idade. O frescor de seus olhos fora substituído, porém, pelo brilho enternecido de uma leve nostalgia que, em um processo de leitura cumulativo, atualiza os sonhos do passado com as cores do mundo de hoje.

Pois Magic é, em essência, um disco sobre personagens cientes da proximidade de seu desaparecimento. A vontade de Bruce de se colocar, sempre, no plano do mundo fica expressa logo na primeira canção: em “Radio Nowhere” ele se pergunta se, nos dias de hoje, sua voz ainda ressoa em algum lugar. O desejo de entrar no ritmo do mundo (“I just want to hear some rhythm”) é sempre interrompido pela dúvida de seu próprio tempo (“This is radio nowhere / Is there anybody alive out there?”). Ao estabelecer seu plano de criação, Bruce Springsteen evidencia o óbvio sempre esquecido: é por esses olhos ameaçados de morte que ele construirá suas personagens. A morte pode se encarnar na gravidade que derruba a juventude (na belíssima “You’ll Be Coming Down”), em um relacionamento atormentado pela certeza de que não durará para sempre (“Livin’ in the Future” – canção que revisita o repertório sonoro de Born in the USA com uma vitalidade embasbacante) ou na epifania religiosa do amante que observa a amada, e que sobrevive ao desaparecimento de civilizações inteiras (“I’ll Work For Your Love”, uma das letras mais bonitas do disco, e com uma introdução em piano digna de “Thunder Road”).

Essa consciência aguda de sua própria finitude é devastadora, e talvez só encontre paralelo recente no deslumbrante Modern Times, de Bob Dylan. É quando pensada em sua ambigüidade que ela encontra maior força, e em Magic isso fica mais claro em duas estupendas canções: “Girls In Their Summer Clothes” e “Long Walk Home”. Em ambas, Bruce dirige pelas ruas mágicas de cidades mortas, povoadas pelas lembranças de tempos distantes, em um desfile felliniano por espaços idealizados pelo tempo passado (os letreiros de neon, as luzes sonolentas de uma varanda, as lanchonetes e barbearias, a bandeira que se impõe sobre o fórum como a cruz sobre a torre da igreja). Magic é a percepção da sombra da morte sobre um homem que tem plena consciência que levará consigo uma era, um imaginário. O mais impressionante é que Bruce Springsteen olha – em auto-referência sujeita às críticas sempre dirigidas aos artistas que, em dado momento, resolvem celebrar sua própria vida – para todo esse desfile com um olhar ainda tomado pelo desejo de se manter em movimento, na dança de sua própria vida. Como afirma, em “Girls In Their Summer Clothes”:

“She went away, she cut me like a knife / Hello beautiful thing, maybe you could save my life / In just a glance, down here on magic street / Love’s a fool's dance /
And I ain't got much sense, but I still got my feet”.


For Dummies
Álbuns de Bruce Springsteen recomendados em ordem decrescente de interesse:

01 - Born to Run (1976)
02 - The Wild, The Innocent and the E Street Shuffle (1973)
03 - Darkness On The Edge of Town (1978)
04 - Greetings from Asbury Park, N.J. (1973)
05 - The River (1980)
06 - Born in the USA (1984)
07 - The Rising (2002)
08 - Magic (2007)
09 - We Shall Overcome: The Seeger Sessions (2006)
10 - Nebraska (1982)
11 - Tunnel of Love (1987)
12 - Devils & Dust (2005)
13 - Human Touch (1992)
14 - Lucky Town (1992)
15 - The Ghost of Tom Joad (1995)

Bob Mould


Não é que District Line (2008) não seja um bom álbum, mas a distância que existe entre os dois discos de rock anteriores de Mould (The Last Dog and Pony Show, de 1998 - Body of Song, de 2005) parece ser a medida exata para a diferença de grandeza entre "Paralyzed" (a melhor música de Body of Song) e "The Silence Between Us" (a melhor faixa deste último disco). No caso de Mould, o tempo parece ser realmente capaz de produzir saltos espantosos.

quarta-feira, maio 28, 2008

Um plano


Extrato de See Heaven, de Naomi Kawase.

sexta-feira, maio 16, 2008

Obrigado, DMX



Em entrevista à XXLmag.com, o rapper DMX nos presenteou com os mais valiosos dois centavos que li recentemente sobre a corrida presidencial norte-americana. Ctrl+C, Ctrl+V:

Are you following the presidential race?
Not at all.

You’re not? You know there’s a Black guy running, Barack Obama and then there’s Hillary Clinton.
His name is Barack?!

Barack Obama, yeah.
Barack?!

Barack.
What the fuck is a Barack?! Barack Obama. Where he from, Africa?

Yeah, his dad is from Kenya.
Barack Obama?

Yeah.
What the fuck?! That ain’t no fuckin’ name, yo. That ain’t that nigga’s name. You can’t be serious. Barack Obama. Get the fuck outta here.

You’re telling me you haven’t heard about him before.
I ain’t really paying much attention.

I mean, it’s pretty big if a Black…
Wow, Barack! The nigga’s name is Barack. Barack? Nigga named Barack Obama. What the fuck, man?! Is he serious? That ain’t his fuckin’ name. Ima tell this nigga when I see him, “Stop that bullshit. Stop that bullshit” [laughs] “That ain’t your fuckin’ name.” Your momma ain’t name you no damn Barack.

* * *

A leitura da entrevista completa é mais do que recomendada.

quarta-feira, maio 14, 2008

Melhores de 2007

04 – Josh Ritter – The Historical Conquests of Josh Ritter


Se o Jeff Tweedy seria o mais próximo que a nossa geração chegou de ter seu próprio Bob Dylan, o Josh Ritter é o mais perto que chegamos de ter alguém que soe exatamente como o Bob Dylan. Enquanto seus dois primeiros discos pareciam não trazer mais que um jovem artista folk de notável talento, é a partir de The Animal Years que a obsessão em se tornar, de fato, Dylan vira o norte de seu trabalho. The Historical Conquests of Josh Ritter é o passo adiante nessa mesma missão. O curioso é que essa vontade de Ritter – que, reza a lenda, decidiu aprender a tocar guitarra após ouvir Dylan e Cash repartirem os vocais de “Girl From the North Country” – por Dylan é, claramente, uma obsessão de fã: seu projeto artístico está claramente mais interessado no trânsito livre pela deambulação rítmica que marcara a carreira de Dylan, do que em se tornar um sósia irreconhecível em sua individualidade. É exatamente nesse salto que The Historical Conquests deixa de ser uma boa imitação, e se torna uma fascinante declaração de amor musical.

Nesse passeio pela discografia de Dylan – e que inclui, em certa medida, seus ancestrais e sua prole – é natural que Ritter vá à primeira grande ruptura promovida pelo mentor, abrindo The Historical Conquests com sua própria versão para “Subterranean Homesick Blues”: “To The Dogs or Whoever” mergulha em um palavrório sem freios decidido a atropelar a métrica, convocando de Joana D’Arc a Casey Jones para uma dança freneticamente desregrada, capaz de girar em versos escorregadios que se agarram em imagens absolutamente poderosas (“Through the wreck of a brass band I thought I could see her / In a cakewalk she came through the dead and the lame / Just a little bird floating on a hurricane” ou, minha favorita, “Running her hands through the ribs of the dark”). A urgência da levada quase punk da música só tem a crescer se lembrarmos de “Girl In The War”, a linda balada que abria The Animal Years. Mais do que uma análise acadêmica do cancioneiro de Dylan, The Historical Conquests traz Josh Ritter clamando por uma possessão.

“Right Moves”
– canção que apareceu aqui no meu mix de melhores do ano – acompanha Dylan em sua busca pelo pop perfeito ao lado dos Travelling Wilburys. Em uma de suas melhores canções, Ritter mistura o refinamento de Dylan com a sensibilidade quase ingênua de George Harrison, e o olhar pseudo-operário de Tom Petty, colorindo uma melodia próxima do universo quase infantil construído por Brian Wilson. É uma canção que celebra a vida com leveza, sem frear os impulsos de se divertir nas convenções, ou de fechar uma estrofe com um mi maior, mesmo quando ele parece absolutamente previsível em sua obrigatoriedade.

“The Tempation of Adam” parece, em princípio, um retorno ao formato acústico de Freewheelin’ ou Another Side of Bob Dylan, mas é perturbada em sua lógica por uma intromissão mais significativa do que o belo fraseado de cordas e metais que parte a canção ao meio: Ritter pega um dos temas mais caros da música pop – o velho sentimento do casal que se consome em isolamento diante do mundo – e o transfigura em literalidade ao colocá-los em um abrigo nuclear, à espera da terceira guerra mundial. Isso rende uma das letras mais impressionantes de sua carreira, começando com “If this was the Cold War we could keep each other warm”, e terminando com “Would we ever really care the world had ended
/ You could hold me here forever like you're holding me tonight / I look at that great big red button and I'm tempted”.

“Rumors” segue para Highway 61 Revisited, criando uma versão não balada de “Ballad of a Thin Man”. A intromissão instrumental “Edge of the World” poderia nascer em Pat Garret & Billy The Kid, se o filme de Peckinpah repousasse no conforto das nuvens. “Next To The Last True Romantic” caberia em medley com “Maggie’s Farm” ou “Tombstone Blues”. A belíssima “Still Beating” lembra o Dylan sereno de Blood On The Tracks (“Simple Twist of Fate”, por exemplo), mas torna a simplicidade mais complexa com um belo arranjo de trompa e texturas de scrap guitar.

Embora Josh Ritter sempre conduza suas referências a lugares que elas não iriam com os próprios pés, é quando promove encontros de mundos que The Historical Conquests se revela um grande álbum. Esses encontros podem se manifestar na belíssima versão campfire de “Wait for Love” – que fecha o disco em reprise – ou na audácia que cruza a porta aberta na cabeça de Bruce Springsteen por “Like A Rolling Stone”, em “Empty Hearts”. Em uma de suas mais inspiradas canções, Ritter consegue combinar versos chupados de Dylan, introdução e refrão digno dos melhores momentos de Bruce e - a cereja no bolo (se eu gostasse de cereja) - um descarado roubo do riff de acordeão de “Neighborhood #2” (aqui harmonizados por guitarra e violino), do Arcade Fire. A colagem é tão perfeita que nunca percebemos as emendas. “Empty Hearts” é a síntese de Ritter justamente por trazer às claras o amor que move sua jornada pela música pop, tomando empréstimo de pais e filhos que, desafiando a aparente linearidade do tempo, chocaram-se em um só espírito.

For Dummies
Álbuns de Josh Ritter recomendados em ordem decrescente de interesse (considerando que seu disco de estréia é inacessível, e que eu não me costumo me interessar por discos ao vivo):

01 – The Historical Conquests of Josh Ritter (2007)
02 – The Animal Years (2006)
03 – Hello Starling (2003)
04 – Golden Age of Radio (2001)

terça-feira, maio 13, 2008

Fama



Como proceder?

a) Processar o sujeito e tentar ganhar algum dinheiro pelo uso não-autorizado da minha fabulosa imagem.
b) Ligar e pedir, cordialmente, que isso não se repita.
c) Comemorar esse ponto alto em minha carreira e, em agradecimento pela propaganda grátis, divulgar o curso no site do Driving Music.

Meus mais sinceros agradecimentos ao Douglas pelo achado, e pela consideração em me encaminhar a coisa mais bizarra que já me aconteceu.

quarta-feira, maio 07, 2008

Melhores de 2007

05 – The Weakerthans – Reunion Tour


Quem não gosta do Weakerthans costuma dizer que sua música não passa de um fundo quase neutro para poesia. De fato, desde Fallow, disco de estréia lançado em 1999, John K. Samson vem esticando os braços como um dos letristas mais originais de seu tempo, capaz de criar um universo tão particular quanto reflexivo. Às canções, sobra a elegância de seguir para o fundo do palco, criando um simples, mas extremamente eficiente cruzamento de composições folk com paredes de guitarra. Não há sinais, aqui, da intenção de transgredir o gênero (como no Wilco). Tampouco de inventariá-lo em suas mais variadas manifestações (como faz Josh Ritter). O que temos são melodias e batidas que se cruzam em quarteirões, criando uma cidade para que as personagens de Samson circulem na esplendorosa simplicidade de suas vidas.

Iniciando uma série de quatro antologias, Fallow era um disco construído a partir do nome da banda – uma citação ao ativista Ralph Chaplin, que se perguntava "What force on Earth can be weaker than the feeble strength of one?". Enfileirando canções sobre a impotência diante da vida, o álbum de estréia da banda já trazia, em toda a sua agradável irregularidade musical, um sem número de exemplos da complexa construção de imagens de Samson: um diploma universitário pendurado na parede do banheiro; o homem que, ao se arrumar para o trabalho, revela o desejo de poder desligar o céu; as mentiras que buscam descanso rastejando para debaixo da cama; as crianças que enterram o passarinho que se chocou com uma vidraça; o morto que vivera como um barco sem âncora; o casal que se comunica somente através de perguntas; as pessoas solitárias que falam alto demais.

Left and Leaving, o segundo, observava as ruas de Winnipeg em busca não só das vidas que circulavam em suas entranhas, mas também da vida da própria cidade. Estão lá a garage sale que oferece flores de plástico, xícaras de café roubadas de restaurante, e uma rotina de trabalho de quarenta horas semanais; a respiração da cidade que passa pelos espaços de prédios derrubados, como dentes que se desprenderam de um sorriso; o convite para se brincar no carrossel de bagagens do aeroporto; o prefeito que mata crianças para não ter que subir os impostos; as luzes gélidas que brilham como congeladas lágrimas de televisão; o sujeito que não consegue perdoar os prédios que o cercam.

Em Reconstruction Site, o recorte temático ganharia intenções abertamente filosóficas em um disco que ambiciona recuperar o sentido das palavras. Suas personagens trajam traços ainda mais sofisticados: um gato chamado Virtute que tenta tirar o dono da depressão; um explorador aposentado que janta com Michel Foucault (e que aprendera francês com um pingüim na Antártica); um paciente terminal que se esconde para rezar; uma garota que fala enquanto dorme; as estórias que sempre chegam a um mesmo fim; o céu de jornal que chove novos nomes para todas as coisas. Reconstruction Site combinava uma sofisticação ímpar de linguagem e de intenções de reformulação semântica com uma banda em produtivo conforto em sua sonoridade. Depois de dois álbuns tão interessantes quanto irregulares (por suas escolhas de timbres, pela ordem das canções, pelos conceitos de produção), o terceiro disco do Weakerthans parecia encontrar liga no vulto gigantesco de suas próprias ambições.

É bastante natural, portanto, que o disco seguinte seja Reunion Tour. Reúnem-se, aqui, alguns dos mais caros personagens de Samson – por vezes, literalmente (como o retorno de Virtute, o gato, que explica, em uma canção, o motivo de sua partida), por outras em indicações de comportamentos já pensados em discos passados. Esse grande reencontro de angústias gera, mais uma vez, um conjunto bastante impressionante de canções agradáveis e personagens absolutamente fascinantes.

Em “Civil Twilight”, ele é o rapaz que tem como passatempo recitar nomes das províncias e de estrelas de Hollywood (é impossível não sorrir diante de “Oh, Ontario! Oh, Jennifer Jason Leigh!”), mas que enfrenta, a cada crepúsculo, a lembrança da partida de um amor que se foi – levando consigo apenas o silêncio que ele fora capaz de lhe ofertar. Em “Hymn of the Medical Oddity”, Samson retorna aos hospitais (já presentes em “Reconstruction Site” e “(hospital verspers)”, cantando sobre um paciente que pede para ser lembrado como mais do que um experimento científico. A estranha métrica da canção traz um dos versos mais fortes de Reunion Tour:

“The sun will start late and clock out early so I drive around and wait for it. Follow familiar roads, emptied of every memory, under a sheet of silence and unmarked snow. Then idle in some parking lot, smoke half a smoke and ask St. Boniface and St. Vital to preserve me from my past”.

A habilidade narrativa de Samson parece, aqui, ainda mais vibrante do que nos discos anteriores. Além do habitual talento do letrista para criar imagens e personagens, Reunion Tour é um disco em que cada canção é, de fato, uma pequena prosa. E essas estórias são, em suas mais variadas encarnações, sempre contos sobre perdas. Em “Sun in an Empty Room” é o abandono de um lar (“The faces we meet one awkward beat too long and terrify, know that the things we need to say have been said already anyway, by parallelograms of light on walls that we repainted white. So take eight minutes and divide by ninety million lonely miles, and watch a shadow cross the floor. We don't live here anymore”); na deslumbrante “Night Windows”, a falta de um passado (“Stop and hold my breath and watch the way you used to be”); em “Tournament of Hearts”, são as respostas que não vêm (“And I know you're out there waiting for an answer I can't give you”); na faixa-título, o jogo de chaves que abrem tudo o que existe.

Se Reconstruction Site era marcado pela ambição formal (é um disco tomado por sonetos), a prosa narrativa de Reunion Tour não é em nada menos impressionante. Talvez esteja um degrau abaixo apenas por não trazer muito de novo, enquanto no disco anterior presenciávamos uma banda que atingia seu ápice. Em Reunion Tour ela decide continuar por ali, naquele mesmo lugar. Para uma banda marcada mais pela inquietação das palavras do que das melodias, o conforto musical encontrado pelo Weakerthans passa longe de qualquer incômodo. Em seus quatro discos, Samson criou um universo real o bastante para transitar nele com a curiosidade de um visitante. Em Reunion Tour, esse universo parece devolver esse olhar confirmando a frase que encerra a linda “Bigfoot!”: “Oh the visions that I see, they will believe me”.


For Dummies
Álbuns do Weakerthans recomendados em ordem decrescente de interesse:

01 – Reconstruction Site (2003)
02 – Reunion Tour (2007)
03 – Left and Leaving (2000)
04 – Fallow (1999)

sábado, maio 03, 2008

Show de carisma

Mais Driving Music: o site Valepunk me convidou para participar da seção "8 por 1". São 8 perguntas sobre música, sempre iguais, respondidas por personalidades microscópicas como eu. Tentei dar respostas interessantes/divertidas pra que, ao fim, o leitor não pedisse seus 3 minutos de vida de volta. Para ter certeza que eu falhei, basta dar uma olhada na entrevista.

Meus mais sinceros agradecimentos ao Valepunk pela entrevista, e por terem dito que o Driving Music é fantástico. Esse torrãozinho de açúcar será suficiente para me alimentar por mais uma semana.

quinta-feira, maio 01, 2008

If you don't like my fuckin' music get your own fuckin' cab!


No último domingo, foi ao ar a edição do programa Aleatório, da Multhishow FM, que recebeu vosso querido dono-de-casa como convidado. Além de escolher todas as músicas do dia, ainda gravei performances acústicas de 3 das 5 canções da primeira demo do Driving Music.

Você pode, deve e vai ouvir o programa no site da Multishow FM. Agora!

quarta-feira, abril 30, 2008

Melhores de 2007

06 – Against Me! – New Wave


“Come on and wash these shores away / I am looking for the crest / I am looking for the crest of a new wave”. Com toda a flexibilidade e a fluidez dos gêneros da música pop, me parece quase inconcebível ver o refrão acima em um disco que não seja de rock. Por mais que a Joni Mitchell deseje um rio congelado para poder patinar embora, ou que Lulu Santos e Tom Jobim vejam nas ondas o mistério do tempo, esse desejo pela onda de mutilação – essa vontade de ver o mundo se acabar em um banho de renovação – é um sentimento ainda muito próprio ao rock. É a crença de que o rock é muito mais que um gênero: é a condensação da juventude em um espírito, mas que deixa marcas que não são facilmente encobertas pelos sedimentos do tempo.

Desde o lá maior martelado que abre a primeira faixa(-título) de New Wave sabemos estar diante do desejo de se construir um monumento do rock. Esse mergulho transborda o álbum, e fica evidente em seu contexto por uma citação da resenha do disco publicada pela Pitchfork:

“In a post indie-rock world where the Decemberists and Death Cab for Cutie and even Mastodon were cheered for making the major label leap, Against Me! became the first band of the 21st Century to actually succeed at selling out”.

Quantas bandas acreditariam tanto no rock a ponto de destruir, com um disco, o conforto alcançado depois de 10 anos de carreira e cinco bem sucedidos discos independentes em nome de uma nova onda que se joga sobre a costa? New Wave é o salto de uma banda punk assumidamente anarquista dentro do furacão niilista do rock básico; é um disco tomado pelo desejo de auto-destruição. É a entrega messiânica à voz que convoca sua própria aniquilação.

Mais do que um disco de grandes canções – que são muitas, mas não todas as de New Wave – o que é absolutamente espantoso no sexto disco do Against Me! é essa manifestação de um espírito, esse grito não-ignorável de uma banda que traz uma exclamação em seu nome. Gritos no vazio de seu próprio desconforto, seja com a onda da faixa-título, com um “are you restless like me?” (de “Up The Cuts”), um “Worked all week long / now the music is playing on our time” (da fabulosa “Thrash Unreal”) ou um “This room feels like it's going to explode” (“Borne on the FM Waves of the Heart”). New Wave só poderia causar um desconforto generalizado, pois é um disco sobre o desconforto, sobre o incômodo de se estar preso em sua própria pele. É um disco sobre pessoas que negam ao tempo o direito de passar, pois encontram na juventude uma posição política da qual não estão dispostas a abrir mão.

Embora tenha lá seus momentos desagradáveis (“Stop”, por exemplo, é uma aberração), New Wave é tomado por acordes que pulsam com uma força rara – algo que parece só ser encontrado quando a garganta é dilacerada pela urgência das próprias canções. Em seus grandes momentos, o sexto disco do Against Me! se isola em uma proeza na terra dos três acordes: é um disco que soa absolutamente único. É o registro de uma banda que, após dez anos de carreira, parece, enfim, fazer seu disco de estréia.


For Dummies
Álbuns do Against Me! recomendados em ordem decrescente de interesse:

01 – New Wave (2007)
15 - Todos os outros.

domingo, abril 20, 2008

Obrigado internet #05


sexta-feira, abril 18, 2008

Masculino

E não é que a pausa da placa de som se confirmou sintoma de um problema bem maior? Meu computador resolveu parar de funcionar, e já estou há uma semana sem máquina em casa. Meus emails andam acumulando, o blog segue em paciente silêncio, minhas contribuições pra Cinética estão penduradas no cabide, e a crise de abstinência vem corroendo, ferozmente, meus dias. Reza a lenda que isso muda no fim-de-semana, quando o computador deve voltar do conserto, mas, enquanto isso não acontece, venho tentado me acostumar à sensação de ter um tufo de cabelos grudado na base da minha língua. Como há anos já me livrei da maniar de mascar perucas, só posso atribuí-la às variadas manifestações da abstinência informática.

1 - GRANDE PRÊMIO ROUSSEAU DE MÚSICA INCIDENTAL

Não é novidade que, de tempos em tempos, me pego apaixonado por uma canção-mulherzinha que ouço no rádio. No passado, o GRANDE PRÊMIO ROUSSEAU DE MÚSICA INCIDENTAL já havia premiado artistas variadas como Dido (por "Thank You"), Michelle Branch (por "Everywhere"), Vanessa Carton ("A Thousand Miles"), KT Tunstall ("Suddenly I see"), Pink ("Who Knew"), Corinne Bailey Rae ("Put Your Records On") e um sem número de fêmeas sem talento que arejam meus dias com coloridas canções.

A música da vez vinha me perseguindo em rádios aleatórios, enquadrando-me nas jornadas noturnas para o trabalho e nas aulas de pilates. A tristeza é que nunca conseguia descobrir o nome da artista ou da canção, e nosso flerte se mantinha limitado à sorte do acaso. Até que, dia desses, via tv ao acordar e, passando pela Mtv, dei de cara com o clipe da música. Descobri que ela atende pelo bizarro nome de "Bubbly", e a dona da voz se chama Colbie Caillat. Não sei mais nada sobre ela, além daquilo que a canção e o clipe me permitem conhecer. Mas, por ora, posso dizer que nossos encontros têm sido bastante agradáveis.

2 - CABELO

Há alguns anos já venho afirmando que, em matéria de maus cortes de cabelo, nossa geração já superou a da década de 1980. Mesmo tomado por essa certeza, não consegui deixar de me surpreender ao ver a apresentação do Mars Volta no David Letterman. Sempre achei que as pessoas exageravam na babação em cima da banda, mas hoje posso afirmar com certeza: os gênios em que acredito têm bom senso suficiente para não sair na rua com um cabelo assim. Quem quiser conferir, que o faça por sua conta e risco nesse link (NSFW!!).

3 - YOU KNOW HOW I KNOW YOU'RE GAY?

As coisas ficam complicadas quando você se pega emocionado em duas ocasiões diferentes que só têm uma coisa em comum: "I will always love you". Pior do que isso: a primeira, foi vendo Moulin Rouge; a segunda, em um episódio de Gilmore Girls.